“E,
se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o e jogue-o fora”
Mateus
18:9
Lábios fumígenos
de um carvão se apagando
os membros se esforçando e cedendo, se esforçando e cedendo,
até que o
tempo e esforço
os desfaçam.
As mãos entraram em jogo só muito depois
o gosto a voz o cheiro primeiro
e o olhar em tudo, mesmo
neste teatro de sombras:
insatisfeitos enquanto tudo repousa
os olhos leem nas pálpebras
o livro da
noite
e porque são eles que trazem a primavera ao corpo
só os olhos não se saciam.
naquele início de 2013, o Adriano Scandolara, poeta maldito, tradutor, culpado pelo Escamandro, autor do Lira do Lixo, me trouxe esse poema e a gentileza de sempre. há uma violência sutil e terrena no que esse malungo se propõe a fazer em seus escritos. é qualquer coisa que suja, pesa, clareia; como se diz? poesia.
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