segunda-feira, 28 de agosto de 2017

ontem reencontrei deuses tristes

e o traço formou-se grito na superfície sem forma. toda ela. sobre ela, o sexo nu, sobre ela, meus seios prostrados, sobre ela, minha pele d’água, os poros abertos, a vaidade de quem se esconde. reparto o nome em faces estranhas enquanto os espelhos do casa se quebram. os espelhos da casa se quebram em mim até que eu morra por casa pulso sem pulso. entorno horas deitada na superfície sem forma. se me levanto, permaneço. se me calo, sou matéria sonora em direção a lugares que não mais existem. dança sôfrega, desde aquela noite em que me culpei por todas as mortes. o eco é uma distância frágil: não há culpa, não há culpa, não há culpa. o pecado do pai.   

| 21 de agosto, 2017. belo horizonte - mg |

domingo, 27 de agosto de 2017

a estrada se move em meu silêncio
a estrada move o meu silêncio?
o espaço, desfragmento em contornos estrangeiros

uma árvore é uma árvore e é também o que não se deve:

coisa profana
o desejo violento
buscando a pedra a
                                superfície

                                difusa