quarta-feira, 2 de agosto de 2017

voz, II

eu também sou um deserto. ou talvez não talvez eu seja multidão multidões desérticas desertos multidões ou nem isso e aquilo eu escrevo a palavra e se eu a escrevo de algum modo eu já sou e é por isso que tenho medo tenho medo da palavra e do que sou quando a escrevo tenho medo da folha intacta da vida intacta dos dias sempre da mesma maneira sempre de outra maneira eles me escapam eu me escondo estúpida eu não poderia dizer o que vem me dizem que eu não poderia dizer o que não há desfaço a minha imagem me mantenho muito bem em frente às pessoas mas eu tenho medo tenho medo da palavra do que sou quando a escrevo da folha da vida do intacto tenho medo da morte há mil passados em mim mil idades e ninguém sabe se sou velha se quero escrever sobre cada coisa se não consigo se me sinto odiando um espaço vazio um abismo tem tanta tanta coisa tanta gente conto trinta solidões e o abismo permaneço odiando e permaneço muito bem em frente a você enquanto o rodeio - não você, o abismo


estranho o ruído e o espelho mas, repare só, está tudo escuro não há ninguém 

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