sexta-feira, 15 de julho de 2016

para V,

eu deveria ter vivido este dia de outra forma, talvez. ter molhado as plantas, cuidado das minhas meninas e de mim, ter tomado um chá para curar a tosse. agora que, pelo que parece, me resta fincar em casa, não suporto dormir com esta sensação de que não a aproveitei inteira. vivi umas dores hoje, conversei com a minha mãe pelo telefone e chorei quieta a tristeza que ela veste. my little girl blue é ela, agora percebo. de tudo nesta vida, isso foi sempre o que mais me doeu, e dói. minha mãe, a mulher mais triste e mais bonita que eu já vi. falamos uns minutos sobre os nadas do dia a dia. desligamos. um tempo depois, uma mensagem dela, um texto que escreveu. li, li outra vez e outra vez, cerrei os olhos. umas palavras se formavam assim: existe poesia no caos? e isso foi tão bonito que, no choro, sorri. me assustei até; por um momento me perdi em quem era eu, quem era ela. há poesia no caos, minha mãe. respondi e, por um descuido do silêncio, pensei que você pudesse gostar de saber.



| 01h40. 14 de julho, 2016 |

Nenhum comentário:

Postar um comentário