há aqui todos os meus adentros
neste agora, em que te quebro em pedaços. neste agora, em que te rasgo o manto. neste agora, em que sou para não-ser. você sabe, sou para não-ser. eu sei, é para não-ser. tenho mania de repetir a voz, o gesto, o tempo, mas o tempo não se repete, continua. tenho mania de repetir o que escrevo, para que na palavra a palavra deixe de ser, sendo.
é domingo enquanto te fotografo, enquanto da janela do meu quarto descerra uma luz amarela às dez da manhã. de manhã, fincamos na cama depois do gozo. do gozo, fincamos entre paredes azuis e imagens borradas em preto e branco. em preto e branco, você se encosta e permanece
permanece
permanece
enquanto é domingo
te fotografo as costas, as suas marcas de corpo, o seu rosto de homem, este filete de luz que corta o dentro do seu olho. seu olho-longo, seu olho-mundo, seu olho-medo.
por que se encerra, menino grande?


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