é noite e festa lá fora, cariño, mas caminho solidão pela casa em algum interlúdio. do outro lado, da estrada, da linha, você percebe a minha voz rouca se desfazendo a cada sí la ba. está tudo bem, pequena? me pergunta com certa doçura. está, minha resposta curta prolongada por um silêncio habitual e desconcertante, que continua enquanto a conversa se desdobra. o telefone, que te apaga a vontade toda vez, toca e nos despedimos. alguns minutos depois, entretanto, você volta: escuto uns versos soltos, algo do Vinícius. é bonito te saber tropeçando em poesia, tocando esse vermelho que pulsa de-dentro de mim. faço um sorriso, qualquer coisa meio blue. um derramar-se, talvez. (estou tão longe, negrito, tão perdida em minha mente inteira de vestígios. não consigo alcançar a tua beleza e me frustro, mastigo esses nós no peito, fumo todos os cigarros do último outono, si len cio). era isso o que eu queria te dizer, você diz e, mais uma vez, despede-se.
é noite e festa lá fora, caminho solidão pela casa e busco aquela fotografia em que te observo no teu-meu tom preferido, libre.
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