terça-feira, 21 de maio de 2013

do desejo



                    I



Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.




(há uns cinco anos, no corredor da faculdade, 18h, um pouco mais, o moço se achega com um livro: era a Hilda. esses, os primeiros versos que li. meu corpo se rasgou feito tecido velho - nu, cru, entregue. era a Hilda, ainda é, ainda ela)

Nenhum comentário:

Postar um comentário