terça-feira, 1 de janeiro de 2013




Composição para luz e lençol

De dentro, os instantes
                                   espasmo depois cinza
palavras
lançadas do desfiladeiro, o corpo
rumando um barco à beira da queda

despir-se logo das flores
                                   promessas como
da calcinha
nos pés:
            contornos contra meia-luz
(fôlego em falta no rosto
os lábios, arrepiado o bico do seio entre lábios

ventriloquismos da língua em moldura de coxas
arrancando muda
                        voz de outra boca)

De dentro, os instantes
a que se reduziram dias de espera,
à beira da cama
                        no que a sede
toques ligeiros
fez arder a garganta:
nós,
os bebedores de orvalho.

(do Adriano Scandolara, um poema, um afeto - porque os acasos são mesmo objetivos)


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