sexta-feira, 28 de setembro de 2012

vermelho, caldeirão da manhã


 
imagens feitas pela fotógrafa michaela knizova, sob efeito do poema "Ariel" (sylvia plath).   
 
Ariel
  

Stasis in darkness.
Then the substanceless blue
Pour of tor and distances. 
 
God's lioness,
How one we grow,
Pivot of heels and knees! -- The furrow
 
Splits and passes, sister to
The brown arc
Of the neck I cannot catch,
 
Nigger-eye
Berries cast dark
Hooks --
 
Black sweet blood mouthfuls,
Shadows.
Something else
 
Hauls methrough air --
Thighs, hair;
Flakes from my heels.
 
White
Godiva, I unpeel --
Dead hands, dead stringencies.
 
And now I
Foam to wheat, a glitter of seas.
The child's cry
 
Melts in the wall.
And I
Am the arrow,
 
The dew that flies
Suicidal, at one with the drive
Into the red
 
Eye, the cauldron of morning.

 
Ariel
 
Estase no escuro.
E um fluir azul sem substância
De rochedos e distâncias.

Leoa de Deus,
Como nos unimos,
Eixo de calcanhares e joelhos! -- O sulco

Divide e passa, irmão do
Arco castanho
Do pescoço que não posso pegar,

Olhinegras
Bagas lançam escuros Ganchos --

Goles de sangue negro de doce,
Sombras.
Algo mais

Me arrasta pelos ares --
Coxas, pêlos;
Escamas de meus calcanhares.

Godiva
Branca, me descasco --
Mãos mortas, asperezas mortas.

E agora
Espumo com o trigo, um brilho de mares.
O choro da criança

Dissolve-se no muro. 
E eu
Sou a flecha
 
Orvalho que voa
Suicida, e de uma vez avança
Contra o olho
 
Vermelho, caldeirão da manhã.  
 
no flickr da michaela k. há uma outra série, the death of the moth, inspirada nos trabalhos e suicídios da sylvia plath e de outra bela e estranha mulher que tem atravessado a minha mente: a virginia woolf. as fotografias são tão perturbadoras quantos os escritos. de uma forma ou de outra, ninguém sobrevive à literatura.
 
 

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